terça-feira, 12 de julho de 2011

Maduro









Vem 
que te prometo 
o silêncio vivaldino
em cada estação
de espera


Vem...
que a fina flor do carinho
virá também


Vem que as tardes de ternura
cochilam na rede do tempo
se você não vem


Prometo
a grandeza
de quem espera
pelo bem que não se tem


Vem 
que o amor está maduro
falta descascar
a esperança e a ternura 
de um tempo a dois


Então, vem...



Torres Matrice

12/07/2011



Brisa 
suave
e lisa

sua ave
visa
a leve 
calma
d'alma

no ar 
puro
véu
diáfano
ao léu

mel
de uma 
paz
que é só
silêncio
e azul

encontro

nota tom
som
poesia


Torres Matrice

27/02/99

O Ir do rio

A nata especular condensa-se
   adensa o reflexo

    Inata natureza das águas:
       intensidade e brilho

        Seu dorso fluido
       sol do momento
    memento da epiderme
       que não esquece 
a imagem que trilha a superfície
artífice
   o mel que lamenta o ido
        o mal da lamúria
      melúria d'outras eras
paragens ficadas no a/deus
tão distante

Sonatas de cautos momentos
             pluvifluviais...
 momentos daninhos: fermento da vida

             água/planta sobre o espelho:
      olho d'água agora

         Visão que se vai
        se vê se assombra
     se arrasta na pelespelho do rio que revela
      à luz do tempo-pálio
      a espressão
   do todo vital que se mira
vitral
         de uma profunda mente.




Torres Matrice 

28/10/99

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

O fenômeno natural "Aurora Boreal"






As auroras boreal e austral são fenômenos visuais que ocorrem nas regiões polares de nosso planeta. Podem ser visualizadas no período noturno ou final de tarde, a olho nu nas regiões onde ocorrem. São verdadeiros shows de luzes coloridas e brilhantes, que ocorrem em função do contato dos ventos solares com o campo magnético do planeta Terra.

Quando este fenômeno ocorre em regiões próximas ao pólo norte é chamado de aurora boreal e quando aconteceu no pólo sul é chamado de aurora austral. Estes fenômenos são mais comuns entre os meses de fevereiro, março, abril, setembro e outubro.

A aurora boreal pode aparecer em vários formatos: pontos luminosos, faixas no sentido horizontal ou circulares. Porém, aparecem sempre alinhados ao campo magnético terrestre. As cores podem variar muito como, por exemplo, vermelha, laranja, azul, verde e amarela. Muitas vezes aparecem em várias cores ao mesmo tempo.

Em momentos de tempestades solares, a Terra é atingida por grande quantidade de ventos solares. Nestes momentos as auroras são mais comuns. Porém, se por um lado somos agraciados com este lindo show de luzes da natureza, por outro somos prejudicados. Estes ventos solares interferem em meios de comunicação (sinais de televisão, radares, telefonia, satélites) e sistemas eletrônicos diversos.

- O nome aurora boreal foi dado pelo astrônomo Galileu Galilei em homenagem à deusa romana Aurora (do amanhecer) e seu filho Boreas.

- Além do planeta Terra, podemos encontrar este fenômeno em planetas como Júpiter, Saturno e Marte



Das Brenhas do Sertão







Vêm das brenhas do sertão,
das raízes do país,
onde mestiço-sangue-coração
movimenta a cerviz mas não se inclina
à servis da opressão: Feros senhores vis.

Um Brasil de desterro
erro, ludíbrio e desgosto
é posto aqui pra gente,
posto que a gente daqui
- ab aeterno -
é feita estrangeira,
invasora da sua própria terra.

Aferra o fado colonial
grilhões de ferro e fogo
( ah, esse brasil que arde em brasa! )
queima sob o domínio patriarcal:
Um sol de séculos!
Feitor do chão, estancieiro,
terreiro de trapaça
onde a mão grande subtrai,
trai e embaça
um amoroso espírito brasileiro.

Véu de um Brasil insuspeito,
do leito adornado de raças, saudosas no banzo,
trigueiras, faceiras, retintas ao sol do eito:
preito e vassalagem - memória.

Vêm no pau-de-arara,
no breu da madrugada acesa,
a pé pelo pó da estrada,
no mato desbravando a vida rara.

Vêm vindo em vida crua
vida nua, regrada vida dura
à força e quebrada
na quebrada do seu dia.

Nos babaçuais, seus ais de coco...
Do mais que a vida dá,
a vida dá tão pouco!
Dada vida e nada
na dureza do corte do coco:
quebra-vida, quebra-coco!

Sangue entre palmas
almas, linhas e mãos,
palmeiras babaçu...

- Oh, babaçu! Oh, babaçu!

Quebradeiras na paisagem de Gonçalves:
Dias e  dias de penúria,
fúria e paixão,
à caminho das palmeiras,
eiras e beiras do sem-fim-sertão...

Na palma espalmada mão,
a gente quebra-coco,
a gente sonha alegria-de-sofrimento
e canta e canta e canta
canto o canto cantadeiras:
Vieiras e Franciscas,
Chicas, Diocinas dos Maranhões,
dos rincões dos Brasis em brasa
que a vida queima, sopra e anima: alma.

Sopra e anima e teima e alevanta,
- Ainda mais!,
que um forte não se dobra assim tão fácil,
que um espírito não se perde assim tão cedo,
que um povo não se esquece,
não se esquece assim na dor.



Torres Matrice

27/07/2005

domingo, 26 de abril de 2009

DESDOBRARTE




A espiral da palavra Som
soa e assombra todo tom
que expira outonos e primaveras.
Eras e eras... murmurejar...

Aspiro ao dom de desdobrar-te
pomos e notas espiraladas
em ramas e partituras.
Trituras - oh, canto! -
o esporão do som-palavra...
Lavra do tom-fruto-arte
livre o dom, flutuar-te: leve...
Leve o vento ao veio central da voz!

Inspiro, respiro, suspiro...
O espírito do instrumento,
um movimento em nós: só voz!

Transbordam melodias frasais
aqui, já e jazz
em mim, a espiral do verso,
( quem se espraia no tempo ? )
tendendo à extensão dos meus ais
a desdobrar a arte: DESDOBRARTE
sem mais.




Silvio Torres

Um Quadro de Máscaras





Toda tarde ela Bela
libélula à tarde: Toda ela arde
libreto - livre butterfly!
vai como esvai se a tarde cai...
se abrindo em asas
seda, brisa, pétala...

Asas em brasas à noite
a noite toda
tolda ela - toldanoite - em pálio negro
depois do espelho
da pintura e da máscara
a fantasia operística
a comédia humana
depois do depois
do mergulho
de volta dos homens
em volta das ruas
envolta pela madrugada nua
Sol carmim...Só
no camarim
Carmim deformado em beijos
lampejos de um sonho venal
sob a pintura rasca
Rascoa
Loa de Madame Butterfly

Ela, ainda encena se a cena lhe acena
presa num quadro da parede da emoção:
La Belle, un bel dì

Un Bel dì vedremo
La Belle
em seu último quadro
de máscaras
a sorrir como as asas coloridas
de uma dama butterfly




Silvio Torres