sexta-feira, 1 de outubro de 2010

O fenômeno natural "Aurora Boreal"






As auroras boreal e austral são fenômenos visuais que ocorrem nas regiões polares de nosso planeta. Podem ser visualizadas no período noturno ou final de tarde, a olho nu nas regiões onde ocorrem. São verdadeiros shows de luzes coloridas e brilhantes, que ocorrem em função do contato dos ventos solares com o campo magnético do planeta Terra.

Quando este fenômeno ocorre em regiões próximas ao pólo norte é chamado de aurora boreal e quando aconteceu no pólo sul é chamado de aurora austral. Estes fenômenos são mais comuns entre os meses de fevereiro, março, abril, setembro e outubro.

A aurora boreal pode aparecer em vários formatos: pontos luminosos, faixas no sentido horizontal ou circulares. Porém, aparecem sempre alinhados ao campo magnético terrestre. As cores podem variar muito como, por exemplo, vermelha, laranja, azul, verde e amarela. Muitas vezes aparecem em várias cores ao mesmo tempo.

Em momentos de tempestades solares, a Terra é atingida por grande quantidade de ventos solares. Nestes momentos as auroras são mais comuns. Porém, se por um lado somos agraciados com este lindo show de luzes da natureza, por outro somos prejudicados. Estes ventos solares interferem em meios de comunicação (sinais de televisão, radares, telefonia, satélites) e sistemas eletrônicos diversos.

- O nome aurora boreal foi dado pelo astrônomo Galileu Galilei em homenagem à deusa romana Aurora (do amanhecer) e seu filho Boreas.

- Além do planeta Terra, podemos encontrar este fenômeno em planetas como Júpiter, Saturno e Marte



Das Brenhas do Sertão







Vêm das brenhas do sertão,
das raízes do país,
onde mestiço-sangue-coração
movimenta a cerviz mas não se inclina
à servis da opressão: Feros senhores vis.

Um Brasil de desterro
erro, ludíbrio e desgosto
é posto aqui pra gente,
posto que a gente daqui
- ab aeterno -
é feita estrangeira,
invasora da sua própria terra.

Aferra o fado colonial
grilhões de ferro e fogo
( ah, esse brasil que arde em brasa! )
queima sob o domínio patriarcal:
Um sol de séculos!
Feitor do chão, estancieiro,
terreiro de trapaça
onde a mão grande subtrai,
trai e embaça
um amoroso espírito brasileiro.

Véu de um Brasil insuspeito,
do leito adornado de raças, saudosas no banzo,
trigueiras, faceiras, retintas ao sol do eito:
preito e vassalagem - memória.

Vêm no pau-de-arara,
no breu da madrugada acesa,
a pé pelo pó da estrada,
no mato desbravando a vida rara.

Vêm vindo em vida crua
vida nua, regrada vida dura
à força e quebrada
na quebrada do seu dia.

Nos babaçuais, seus ais de coco...
Do mais que a vida dá,
a vida dá tão pouco!
Dada vida e nada
na dureza do corte do coco:
quebra-vida, quebra-coco!

Sangue entre palmas
almas, linhas e mãos,
palmeiras babaçu...

- Oh, babaçu! Oh, babaçu!

Quebradeiras na paisagem de Gonçalves:
Dias e  dias de penúria,
fúria e paixão,
à caminho das palmeiras,
eiras e beiras do sem-fim-sertão...

Na palma espalmada mão,
a gente quebra-coco,
a gente sonha alegria-de-sofrimento
e canta e canta e canta
canto o canto cantadeiras:
Vieiras e Franciscas,
Chicas, Diocinas dos Maranhões,
dos rincões dos Brasis em brasa
que a vida queima, sopra e anima: alma.

Sopra e anima e teima e alevanta,
- Ainda mais!,
que um forte não se dobra assim tão fácil,
que um espírito não se perde assim tão cedo,
que um povo não se esquece,
não se esquece assim na dor.



Torres Matrice

27/07/2005

domingo, 26 de abril de 2009

DESDOBRARTE




A espiral da palavra Som
soa e assombra todo tom
que expira outonos e primaveras.
Eras e eras... murmurejar...

Aspiro ao dom de desdobrar-te
pomos e notas espiraladas
em ramas e partituras.
Trituras - oh, canto! -
o esporão do som-palavra...
Lavra do tom-fruto-arte
livre o dom, flutuar-te: leve...
Leve o vento ao veio central da voz!

Inspiro, respiro, suspiro...
O espírito do instrumento,
um movimento em nós: só voz!

Transbordam melodias frasais
aqui, já e jazz
em mim, a espiral do verso,
( quem se espraia no tempo ? )
tendendo à extensão dos meus ais
a desdobrar a arte: DESDOBRARTE
sem mais.




Silvio Torres

Um Quadro de Máscaras





Toda tarde ela Bela
libélula à tarde: Toda ela arde
libreto - livre butterfly!
vai como esvai se a tarde cai...
se abrindo em asas
seda, brisa, pétala...

Asas em brasas à noite
a noite toda
tolda ela - toldanoite - em pálio negro
depois do espelho
da pintura e da máscara
a fantasia operística
a comédia humana
depois do depois
do mergulho
de volta dos homens
em volta das ruas
envolta pela madrugada nua
Sol carmim...Só
no camarim
Carmim deformado em beijos
lampejos de um sonho venal
sob a pintura rasca
Rascoa
Loa de Madame Butterfly

Ela, ainda encena se a cena lhe acena
presa num quadro da parede da emoção:
La Belle, un bel dì

Un Bel dì vedremo
La Belle
em seu último quadro
de máscaras
a sorrir como as asas coloridas
de uma dama butterfly




Silvio Torres

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Pseudo soneto ( retorno )


( para Machado de Assis )



Oh!Flor do céu! Oh, flor cândida e pura!
Oh!Flor literária, ária de encanto, Flor!
Deste-me em teu tempo metafísica dor
de decifrar em tua ópera toda a agrura


De teu agro livro num soneto só...
Não sabendo eu, oh! flor do seu Dom,
se és tu mesmo personas ou nada: pó!
Se é isto o que queres: pequeno som.


Sombra incalculável, Bruxo-flor, obra.
Cobra de teus paraísos a cândida dor.
Deste-me a incumbência desta falha


Que deso.culpado devolvo nesta dobra,
bruxaria que tira-me a vida, ávida Flor.
Ganha-se a vida, perde-se a batalha!



20.04.1999

Dunas


Caminhante...
Delirante em meio ao deserto.
Contra o vento, tempestades de areia,
sopro forte e a soleira na cabeça
essa voz na cabeça!!!

Essa voz, esse chamado...

Essa imagem: tormenta.
Pirâmides de delírios febris
um oásis de desejos sutis
como espadas e seu aço reluzente...

Talvez na mente, no sonho...
Arábica jornada rumo ao nada...

Tempestades de imagens e febres
tórridas, ardentes, lânguidas...
Caravanas do desejo
mouros que se perdem ao longe
tendas de presságios
dunas de paixões que não findam...

Deserto dentro do deserto infindo
indo sempre dentro de mim incerto...
E eu nesta peleja com o feitiço
aceso sob o sol desértico, cigano

E esse Tuareg dizendo - te amo, Bandoleiro!





30.01.1999

É vapor... Eva nascente... Evaporante...


Ela dança na rua sua hora
como quem dança pra ninguém
num plano etéreo - não no palco -
como quem na neblina vislumbra
o movimento dentro de si.
E rodopiando evolui na coreografia,
mapeando a geografia do nada,
cega em busca do absoluto.


Dança como quem se esquece,
como um fluxo de sentimento,
um frêmito inesperado... Ela brilha!


Um torvelinho na alma, decalcada do mundo,
ela sobe como quem se abstrai num sonho.
Ela gira - não sobre os pés! - como quem evanesce, exala...
Como se Etérea fosse, baila entre nuvens...

Cirros-cúmulos, cirros! Cirros no bailado dos cabelos...
Seus cabelos são cirros, são seus, são céus, são sóis quando a sós!


Que tu mexas nos cabelos enquanto mechas, fios, desafios, desalinhos formam a forma de um desenho.
O desenho de um corpo, movimentos de madeixas que tu deixas no bailar...

Ela é vapor, é vapor... Eva nascente, Evaporante, Eva pirante!
Ela evapora, exala, evanesce....................................................................................

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02.02.1999